Sexta-feira, 6 de Abril de 2007

O Rosto de Deus

 

O Rosto de Deus

 

 A cena passava-se num pequeno infantário, numa qualquer manhã, igual a muitas manhãs das nossas vidas.

Tocou a sineta para as crianças entrarem nas suas salas de aula e dar início aos habituais trabalhos escolares, não sem que antes houvesse a natural correria e atropelos, próprios da idade infantil pela qual todos tivemos, naturalmente, que passar.

Entretanto, numa das salas de aula, a educadora distribuiu pelas crianças, ordeiramente sentadas nos seus devidos lugares em volta da mesa de trabalho, uma folha de papel, lápis de cera e outros, pedindo às crianças que, como em muitas outras ocasiões análogas, com o material ora distribuído, dessem azo à sua imaginação e criassem algo no papel que lhes estivesse a ocupar o Pensamento.

As crianças assim o fizeram, umas mais rebuscadas que outras, outras mais rápidas – para ir mais cedo para o recreio! Ao fim de algum tempo, a professora notou que uma das crianças, uma menina, ainda não fizera nada de nada na folha de papel que lhe fora entregue, mas nem por isso tirava os olhos da folha.

Nisto, a educadora diz que o tempo destinado ao desenho estava quase a terminar e que dentro em breve teriam de entregar o trabalho concluído.

Vendo que a menina, que ainda nada havia feito, não começara a fazer nada de nada na folha perguntou-lhe:

- Raquel, tu ainda não fizeste nada…o que se passa…?

A Raquel, então, levanta os olhos do papel e diz para a educadora:

- Professora…eu ainda não fiz o meu desenho, mas fique tranquila, pois eu vou desenhar o Rosto de Deus.

A educadora, embora embaraçada com a resposta da criança, continuou a sua ronda pela sala, sempre olhando para a menina pelo canto do olho,  por entre as crianças que já haviam terminado o seu trabalho recolhendo as folhas já desenhadas e os lápis usados para esse fim.

Nisto, no silêncio da sala, ouve-se a voz, soando a Felicidade, da Raquel a dizer:

- Professora! Aqui tem o desenho do Rosto de Deus!

A professora, atónita com a rapidez e determinação da menina, olha para a folha de papel e apenas vê um círculo e nada mais; mas, acto contínuo, na face daquela menina ela viu, finalmente, o Rosto de Deus!

 

 

 

José Pedro Amaral

22.08.2005

publicado por escrevinhando às 22:39
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Março 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30


.posts recentes

. Você Já Amou Tanto Assim!

. Verdades Inconvenientes

. Magos e Anjos, a Verdade ...

. Sabedoria de um Mestre

. Recordar é Viver

. Jesus....

. Poema de Ano Novo

. O que fará sentido, afina...

. O Pedreiro

. O Verdadeiro Sentido da V...

.arquivos

. Março 2010

. Novembro 2009

. Agosto 2009

. Junho 2009

. Janeiro 2009

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

blogs SAPO

.subscrever feeds